segunda-feira, 2 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
ANÚNCIO- A VISÃO DE UM RETROVISOR AMIGO
Hoje acordei num canto diferente. Havia levado uma pancada na noite anterior. A última coisa que lembro é de uma luz muito forte vinda na minha direção. Meu papel era vigiar à minha volta, estava fazendo tudo direitinho. No entanto, de nada posso ajudar se ele não presta atenção em mim.
Voltávamos de uma festa no clube. A noite parecia ter sido agitada. Enquanto ele se divertia, fiquei a sua espera no estacionamento. Por volta das 4 horas, nos reencontramos. Ele parecia cansado e visivelmente alterado, mas não percebia. Quando sua namorada perguntou se ele estava em condições de dirigir, disse que estava perfeitamente bem. “Só tomei duas taças.” Ela insistiu, lembrando-o que, além de ser perigoso, meia taça já era suficiente para ele receber uma bela multa. Se a lei existe, ela deve ser cumprida, afirmou a companheira. Mesmo com todos os alertas, ele, teimoso, sentou-se ao volante. Como seu fiel parceiro, continuei ao seu lado, mais atento do que nunca. Infelizmente, de nada adiantou. Ele até tentou desviar. Não deu tempo. Quando vi, já era tarde demais. Um clarão foi se aproximando, senti uma pancada muito forte e apaguei. Acordei hoje no chão, jogado. Não sei qual foi o fim dele, só espero, realmente, que esteja tudo bem e que esse fato tenha servido para alguma coisa.
Escrito por Carolina Andrade, Catharina Choi, Felipe Assato e Pedro Ribeiro
REENCONTRO
Fazia 5 anos que a mãe não via o filho, mas agora eles iam se reencontrar. A mãe se arrumou toda: foi ao cabeleireiro, fez as unhas, gastou o salário do mês em roupas novas e modernas. Partiu para o encontro, ansiosa para ver o filho que tanto amava. Avistou o filho e sorriu, esperando-o. O filho se aproximou, sorriu de volta e disse:
- Por acaso uma senhora passou por aqui? Estou procurando a minha mãe. Ela é um pouco mais nova que você.
Escrito por Carolina Andrade e Raphael Valenti
terça-feira, 6 de outubro de 2009
JANELA
O jovem mantinha seu olhar fixo, encantado. Por um instante, ela abaixou-se e, num rápido piscar de olhos, sumiu como pó levado pelo vento. O garoto ficou preocupado, ainda estava cedo para ela partir. Mudou de cômodo, talvez o ângulo ali estivesse ruim. Foi para seu quarto, tirou um binóculo da gaveta, abriu a persiana e procurou-a por todos os cantos. Nenhum sinal. Por onde podia andar a moça? Ligou para vizinhos, amigos, porteiros dos prédios da redondeza. Saiu batendo de porta em porta, perguntando se alguém vira a mulher amada. Foi até o prédio dela, insistiu com todos os vizinhos que ali moravam. Ninguém sabia de nada. Nunca haviam visto mulher com tais características. Aquele apartamento estava vazio há mais de um ano. A janela empoeirada, as cortinas amareladas, puídas. Ninguém se interessava em locá-lo, muito menos em comprá-lo. O último inquilino se mudará para o exterior. O proprietário devia o condomínio há mais de meses, havia boatos de que sofria de uma convalescência grave, talvez uma esclerose. O rapaz, inconformado com o sumiço da amada, voltou para casa, sentou-se novamente, abriu a janela e continuou a esperar apoiado no parapeito.
