O sol já se punha no horizonte. Era o último domingo do mês. O menino, debruçado no parapeito, observava a paisagem. Alguns pássaros passavam. Algumas pessoas lhe cumprimentavam. Do outro lado da rua estava sua amada, aquela que ele passara o mês inteiro admirando. Mulher madura, experiente, porém de feição tão pura quanto a mais moça das donzelas. Todos os dias, naquele mesmo horário, ela estava lá, aprontando-se para sair. Sair para onde? Esse era o mistério que em 30 dias ele não havia conseguido desvendar. A janela estava sempre aberta. As cortinas brancas encobriam levemente sua visão. De vez em quando, ela as abria. Hoje, por sorte, estavam abertas. A moça ainda estava molhada do banho. Seus cabelos, louros e encaracolados, ainda pareciam despenteados. Prendeu-os numa trança, olhou-se no espelho e passou um batom carmim, do mesmo tom do esmalte. Vestiu-se em trajes íntimos. Por cima, colocou um vestido de seda rosa, comprido até os joelhos. Parecia uma pintura clássica, emoldurada por aquela esquadria envelhecida. Moldura tal limitada pelo desejo daquele jovem que ainda descobria a vida e seus encantos.
O jovem mantinha seu olhar fixo, encantado. Por um instante, ela abaixou-se e, num rápido piscar de olhos, sumiu como pó levado pelo vento. O garoto ficou preocupado, ainda estava cedo para ela partir. Mudou de cômodo, talvez o ângulo ali estivesse ruim. Foi para seu quarto, tirou um binóculo da gaveta, abriu a persiana e procurou-a por todos os cantos. Nenhum sinal. Por onde podia andar a moça? Ligou para vizinhos, amigos, porteiros dos prédios da redondeza. Saiu batendo de porta em porta, perguntando se alguém vira a mulher amada. Foi até o prédio dela, insistiu com todos os vizinhos que ali moravam. Ninguém sabia de nada. Nunca haviam visto mulher com tais características. Aquele apartamento estava vazio há mais de um ano. A janela empoeirada, as cortinas amareladas, puídas. Ninguém se interessava em locá-lo, muito menos em comprá-lo. O último inquilino se mudará para o exterior. O proprietário devia o condomínio há mais de meses, havia boatos de que sofria de uma convalescência grave, talvez uma esclerose. O rapaz, inconformado com o sumiço da amada, voltou para casa, sentou-se novamente, abriu a janela e continuou a esperar apoiado no parapeito.
O jovem mantinha seu olhar fixo, encantado. Por um instante, ela abaixou-se e, num rápido piscar de olhos, sumiu como pó levado pelo vento. O garoto ficou preocupado, ainda estava cedo para ela partir. Mudou de cômodo, talvez o ângulo ali estivesse ruim. Foi para seu quarto, tirou um binóculo da gaveta, abriu a persiana e procurou-a por todos os cantos. Nenhum sinal. Por onde podia andar a moça? Ligou para vizinhos, amigos, porteiros dos prédios da redondeza. Saiu batendo de porta em porta, perguntando se alguém vira a mulher amada. Foi até o prédio dela, insistiu com todos os vizinhos que ali moravam. Ninguém sabia de nada. Nunca haviam visto mulher com tais características. Aquele apartamento estava vazio há mais de um ano. A janela empoeirada, as cortinas amareladas, puídas. Ninguém se interessava em locá-lo, muito menos em comprá-lo. O último inquilino se mudará para o exterior. O proprietário devia o condomínio há mais de meses, havia boatos de que sofria de uma convalescência grave, talvez uma esclerose. O rapaz, inconformado com o sumiço da amada, voltou para casa, sentou-se novamente, abriu a janela e continuou a esperar apoiado no parapeito.

muito bom ! espero ser como você um dia... muito bem escrito ! bacio
ResponderExcluirCaro, muito legal! Eu não sabia que você escrevia tão bem. Beijos
ResponderExcluirMuito bom mesmo! Gostei. Parabéns!!
ResponderExcluirBjs.
esse trab ela fez sozinha (mas só esse, o de pesquisa ela fez comigo, acho)
ResponderExcluirO seu conto ta tão bom que eu acho q eu vou fazer um filme sobre ele...
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